Quinta-feira, 1 de Março de 2007

O nosso filme

Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Nada melhor que uma simulação de algo que realmente gostavamos que acontecesse na realidade:

2º parte do trabalho- “Diva da escrita, obras perfeitas

 

Nesta segunda parte do meu trabalho resolvi adicionar um acontecimento verídico, que marcou a minha vida e a minha aprovação no antepenúltimo ano de estagio em jornalismo. Foi em Maio de 2001, que nos foi dada a ultima oportunidade de melhoramento de notas do estagio. Era suposto apresentarmos um trabalho com uma entrevista o mais real possível a um ídolo nosso. 

Quis o destino que após uma viagem a paris, no regresso a casa para a noite de natal, encontrasse Sophia de Mello Breyner Andresen á espera de um taxi no aeroporto de Lisboa. No inicio fiquei um bocado sem reacção e intuitivamente esperei que  Sophia apanhasse um taxi. Como era dia de natal não havia muito movimento e os taxis estavam cada vez mais escassos. Porque não propor-lhe uma boleia?

 

 

       Bom dia, com dificuldades em sair daqui?

 Pois é ... os taxis aqui são sempre assim?

 Sabe, é dia de Natal e as pessoas ficam em casa com a família. Levaria-a a casa       com todo o gosto

 Bem ... parece-me que não tenho outra opção.

 Faça o favor de entrar.

 Obrigado.

       Para onde vai?

 Para a avenida de Roma, estão lá os meus netos e o meu filho á minha espera.

     Eu disse-lhes que ia de taxi, não gosto de dar trabalho.

 Com certeza!

     Nem acredito que está no meu carro ... é um orgulho enorme! Meu Deus ...

 Oh, que simpatia ...

 

Após 10 minutos de silêncio ...

    

      Seria possível fazer-lhe umas perguntas rápidas? Estou a estagiar, tenho de entregar um trabalho que se baseia numa entrevista a um ídolo meu, o mais real possível. Não há nada mais real que isto!

 Considera-me seu ídolo?

       Mais que um ídolo!

 Bem ... ficaria muito contente ao saber que pude ajudar alguém a ter uma boa nota num estágio.

       Óptimo! Vamos então começar ... Gostei de todas as suas obras, mas em especial a que acabei de ler há uma ou duas semanas ...

 Será que me poderia dizer o nome da obra ... é que se não, não poderei fazer qualquer tipo de comentário ...

 Claro ... desculpe ... estou muito nervosa ... Sabe que não é todos os dias que tenho o prazer de entrevistá-la pessoalmente. Vamos continuar ... Peço mais uma vez desculpa ...

  Com certeza, vamos continuar ...

  Como estava eu a dizer, acabei de ler um livro seu há umas semanas – “Histórias da Terra e do Mar”. Quer falar-me um pouco desse livro?

  Claro ... esse foi sem dúvida o livro que mais trabalho me deu a fazer, não pelo seu tamanho, mas pelo conteúdo. Demorei 65 anos a escrever o livro.

  Como?

  Sim, 65 anos. Eu passo a explicar ... quando tinha 13 anos lembro-me que me foi pedido pela minha mãe que arrumasse a loiça da cozinha, e pela 3ª vez não o cumpri. Fiquei então de castigo no meu quarto e como sempre gostei de ler e escrever comecei a escrever uma história.

  E quando acabou essa história?

  Foi acabada aos 78 anos.

  Peço desculpa mas não percebo como é que um livro pode demorar tanto tempo a ser concluído.

  Então foi assim ... nessa tarde que fiquei de castigo e comecei a escrever a minha história, passada a hora do jantar acabou o meu castigo e guardei a história num baú, onde estava o meu diário entre outras coisas pessoais. Por incrível que pareça nunca mais me lembrei que estava lá essa história. Também estava lá tanta coisa ... Os anos passaram e mudei de casa aos 15 anos e esse tal baú foi mudado como todas as outras mobílias.

  Sim ...

  Quando chegou a altura das arrumações na minha nova casa, pus as minhas mobílias juntamente com o baú  no meu quarto, quarto esse onde vivi até aos 37 anos. Entretanto comprei casa e esse baú ficou sempre no quarto da casa dos meus pais, e aos 78 anos, reencontrei o baú e comecei a ver o que tinha lá dentro.

  E foi aí que encontrou essa história?

  Exactamente! Encontrei a história e ainda me lembrava dela ...

  Acabou portanto a história, certo?

  Imediatamente, não! Nessa altura eu estava com muito trabalho e já tinha netos, então acabei a história uns meses depois.

  Até onde tinha escrito a história, quando tinha 13 anos?

  Tinha escrito até á parte em que o sapato roto e com bolor cai no meio da sala de baile.

  Bem ... Que história incrível !!!

  A história do livro?

  Sim , quer dizer ... a história descrita no livro e a história que se deu a esse mesmo livro. Fiz-me entender?

  Oh, sim ... A minha vida foi feita de coisas incríveis.

  Quer falar-me dessas coisas?

  Assuntos pessoais ...

  Com certeza, peço desculpa .

  Sim ...

  Muito bem, quer falar-me um pouco da sua relação com os livros e com a escrita?

  É uma relação comparável á relação entre os padres e a igreja.

  Em que se pode comparar?

  Em tudo, ou quase tudo. Por exemplo, os padres vivem para a igreja como eu vivo para os livros e para a escrita. Entrego-me de corpo e alma aos meus livros e á sua realização.

  Já não viveria sem a escrita e a leitura?

  Certamente, não! Viver, de certa forma viveria, não era por isso que o meu coração deixaria de bater ou que o meu cérebro deixaria de funcionar, a não ser que apanhasse uma depressão ou algo do género. Mas o prazer da vida, isso sim deixaria de habitar dentro de mim.

  Percebo ...

  Gostou do meu livro?

  Adorei o seu livro ... achei sobretudo que teve um final diferente e inesperado ...

  É daquelas coisas que não está mesmo ninguém á espera ...

  No inicio achei que o final tinha sido feito á pressa ... mas ás vezes é preciso perceber o sentido das histórias e que se calhar há mais alguma coisa ...

  É verdade ...

  Ainda nem acredito no que está a acontecer ... parece tudo um sonho!

  É bom acreditar que tudo é um sonho!

  Tem toda a razão ... ás vezes é o melhor ...

  Ainda não sei o seu nome ...

  Chamo-me Rita ... Rita Afonso ...

  Muito bem, Rita Afonso, sabe que é a primeira vez que estou a ser entrevistada no carro de um jornalista.

  Numa boleia ...

  Numa óptima boleia!

  Poderia fazer só mais umas perguntas?

  Obviamente que sim, Rita.

  Qual a parte do livro que gostou mais?

  Gostei do final.

  Por algum motivo em especial?

  Talvez por o livro ter sido concluído passados tantos anos. Por acaso foi muito engraçado!

  Concordo! Acha fácil conciliar a família com a escrita?

   São coisas com significados completamente diferentes na minha vida ...

  Como assim?

  Não há conciliação possível.

  Não?

  Não interprete mal o que lhe vou dizer, mas eu ponho a família para um lado e a escrita para outro. São coisas completamente diferentes e é melhor não pensar que consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo.

  Porquê?

  Porque isso é uma ilusão!

  Certamente ...

 Prefiro fazer uma distinção entre essas duas coisas na minha vida.

   Sim ...  Existe alguma altura especial na qual gosta de escrever?

  Sim.

  Quando?

  Quando me apetece!

  Boa altura!

  Óptima altura!

  Considera-se intelectual?

  Como assim? No modo como escrevo?

  Sim.

  Não! Escrevo de uma forma muito leve e de fácil compreensão. Penso que todos que “saibam ler e escrever” conseguem ler e perceber o que escrevo. Porque ler sem perceber, também não serve de nada.

  Tem toda a razão ... Quais os tipos de texto que prefere?

  Sem duvida a poesia.

  Pode dizer-me porquê?

  Com certeza ... nos poemas é a “única” forma de podermos escrever mensagens escondidas, com várias compreenções e interpretações, de acordo com a estrutura delineada para cada tipo de texto. É a única maneira de fazer ver a alguém de uma forma indirecta algo que queiramos. A poesia é especial!

  Na escola sempre preferi a poesia, ao contrário dos meus colegas.

  Então porquê?

  Porque as aulas de poesia, não são aulas. As aulas de poesia são como recreios prolongados.

  Concordo!

  Os meus amigos nunca gostavam de poesia. Eu percebia que eles não gostavam de poesia porque não entendiam, ou por falta de esforço ou por capacidade nula ou quase inexistente de interpretação de um poema.

  É motivante quando percebemos os poemas .. torna-se mais interessante. Não acha, Rita?

  Acho sim, é como em tudo, não é só nos poemas.

  Tem razão.

  O livro de que estava a falar há pouco é um pouco estruturado poeticamente, não é?

  Como percebeu isso?

  Percebi, não sei ...

  Pois é, é verdade, o texto está escrito de acordo com o modo de escrita de um poema.

  Tem vários entendimentos ... várias reacções.

  Pode-me deixar aqui! Estou a ver os meus netos.

  Muito obrigado por me ter ajudado.

  Mas não escreveu nada ... como vai fazer?

  Eu tenho uma óptima memória, vai ficar um trabalho fantástico. Mais uma vez obrigado.

  Eu é que agradeço a boleia e agradeço também a meia hora de conversa. Foi muito agradável, Rita.

  Então boa tarde e Bom Natal.

        Bom Natal!

     

 Jornalista Rita Afonso.

 Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

 

Fui então para casa, e antes de almoço acabei de escrever o que me lembrava da entrevista, que por acaso foi quase tudo. Era impossível esquecer-me de uma só palavra da minha “Diva da escrita”. Nunca me irei esquecer deste dia!

Para concluir esta 2º parte do meu trabalho- “Diva da escrita, obras perfeitas”, resolvi ...

Publicado por: pumpum às 21:15
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

O Cavaleiro da Dinamarca

O Cavaleiro da Dinamarca é um livro de Sophia de Mello Breyner Andresen, editado em Portugal em 1964. A obra conta a história de um homem que vivia com a sua família numa floresta da Dinamarca. Numa noite de Natal, durante a ceia, quando todos estavam reunidos à volta da lareira, a comer e a contar histórias, comunicou-lhes que iria partir em peregrinação à Terra Santa, para orar onde Cristo tinha nascido e que, portanto, daquela noite a um ano, não estaria ali. Prometeu também que, dali a dois anos, estariam juntos de novo. Na Primavera seguinte partiu e, levado por bons ventos, chegou muito antes do Natal às costas da Palestina, onde visitou todos os locais sagrados relacionados com a vida de Jesus. Já de regresso à Dinamarca, uma tempestade violentíssima quase destruiu o barco em que viajava e ele teve que ficar em Itália. Aí conheceu várias cidades (Ravenna, Veneza, Florença, Génova) onde fez diversos amigos, como o Mercador de Veneza, que lhe contou a belíssima história de amor de Vanina e Guidobaldo. De Giotto e Dante,... Após inúmeras peripécias , consegue chegar à floresta em que vivia, mas uma tempestade quase lhe provoca a morte. No entanto, anjos acendem pequenas estrelas no abeto

Quando ele ia pela floresta ele pensou que o gelo do rio estaria gelado e seguiria-o até sua casa mas não encontrou o rio... Este foi andando sempre em frente sem destino e mais ao longe viu uma luz que se destacava pela sua grandeza... Esta, era a luz de sua casa.O cavaleiro não sabia disto, mas ainda assim resolveu ir atrás da luz, encontrando a sua casa. É por essa razão que se enfeitam os pinheiros no Natal que ficava em frente à sua casa, guiando-o até ao calor do seu lar e de sua família...   Como nosso conselho lê o livro acredita que te divertes-te com tanta aventura ou então continua a passar no nosso blog que contaremos mais daqui adiante.  

 

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Publicado por: pumpum às 12:34
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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

Sophia de Mello Breyner

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Distinguida com o Prémio Camões em 1999, tornou-se a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa. Membro da Academia das Ciências de Lisboa.


Frequentou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, mas não chegou a terminar o curso. Casou-se, em 1946, com o jornalista, politico e advogado Francisco Sousa Tavares e mãe de cinco filhos: uma missionária laica, uma professora universitária de Letras, um advogado e jornalista de renome (Miguel Sousa Tavares), um pintor e ceramista e mais uma filha que herdou o nome da mãe. Os filhos motivaram-na a escrever contos infantis.

Tem origem dinamarquesa pelo lado paterno:o seu avô Jan Henrik Andresen desembarcou um dia no Porto e nunca mais abandonou esta região, tendo o seu filho João Henrique comprado, por volta de 1890, a quinta do Campo Alegre. Como afirmou em entrevista "Sophia e a Palavra", in revista Noesis, n.º26, 1993, essa quinta "foi um território fabuloso com uma grande e rica família servida por uma criadagem numerosa".

Criada na velha aristocracia portuguesa, educada nos valores tradicionais da moral cristã, dirigente de movimentos universitários católicos, veio a tornar-se uma das figuras mais representativas de uma atitude política liberal, denunciando os falsos critérios do regime salazarista e os seus seguidores mais radicais. Em 1975, foi eleita para a Assembleia Constituinte pelo círculo do Porto numa lista do Partido Socialista, enquanto o seu marido navegava rumo ao Partido Social Democrata.

Distinguiu-se também como contista (Contos Exemplares) e autora de livros infantis (A Menina do Mar, O Cavaleiro da Dinamarca, A Floresta, O Rapaz de Bronze, A Fada Oriana, etc.).

Foi também tradutora de Dante Alighieri e de Shakespeare.

Em 1964 recebeu o Grande Prémio de Poesia pela Sociedade Portuguesa de Escritores pelo seu livro Livro sexto. Foi distinguida com o Prémio Camões em 1999 e com o Prémio Rainha Sofia em 2003.

Sophia de Mello Breyner morreu aos 84 anos no dia 7 de Julho de 2004 no Hospital da Cruz Vermelha.

Publicado por: pumpum às 10:07
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